jueves, 14 de enero de 2010

Morreram-se as madeixas

Veio a tesoura e cortou
E se equivocou a tesoura
E as mãos que a guiavam
E nesse equivocar-se reluzente
De metal que brilha
Ainda que seja pouca a luz que se faça
Dilapidaram-se as madeixas castanhas
Que já não estarão
Do solo vieram
E ao solo retornaram
Pensei ao ver-las cair tão sem vida
Entregadas aos pés que as pisariam sem pena
Agora se passarão as horas
Os dias
Os meses
E talvez um ano
Até que uma nova tesoura
Possa fazer-me outra
O vento soprará minha nuca
Até fazer-me raiva
Até arrancar de mim a blasfêmia
Até que eu maldiga a tesoura,
As mãos e os nossos equívocos.

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