domingo, 6 de diciembre de 2009

(Re)verso de mim

É o avesso da boa notícia
O não de todo sim
E o fim de toda eternidade

É o despir-se sentindo frio
O banhar-se em águas geladas
E os secar-se ao vento da popa

É o perder-se da memória
O esquecimento do amigo querido
E o perdão mal intencionado

É o gol marcado contra
O golpe certeiro do adversário
E o silêncio decepcionado da torcida

É o café descafeinado
O chá de erva doce carente de açúcar
E o caramelo caído no asfalto

É o respiro do obreiro cansado
O ar que falta depois da corrida
E o sopro final da vida que expira

É o som do disco riscado
O acorde rouco do violão partido
E o zumbido do giz sobre o quadro

É tudo o que fica quando não se vê nada
É o que sobra depois da partida
Sou eu em pedaços e estilhaços
Somos nós nessa distância consentida.

1 comentario:

Alejandro Garcés dijo...

no no, la torcida é feliz, vocé também.