martes, 17 de noviembre de 2009

Alcance

Abandonei-me ao vento para viajar com ele até o infinito.
Queria transformar-me em montanha.
Soltei-me de mim e flutuei apontando a imortalidade da rocha
No caminho, abraçada pelo sopro de ar, choquei-me à nuvem cinza da tormenta.
Chovi em gotas púrpuras, derramando-me em solo fértil.
Beijou-me o desejo da terra e renasci no verde da planta
Brotando na folha, reinventei-me sendo árvore:
Dei-me de comer aos bichos,
Fiz-me a morada dos pássaros,
Recebi a carícia dos ventos que em outros tempos me contiveram,
Os raios de um sol que em todas as vidas me iluminou.
Pretendendo a fortaleza da montanha,
Alcancei a fluidez da água,
A sede do chão, a esperança do verde,
A fome da vida, o abrigo do amor,
O calor de toda luz
E a morte da folha que seca e se entrega ao saber fazer da existência.

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