martes, 20 de octubre de 2009

Fora de alcance

Es como um livro
Que me desafia desde a última prateleira
Ainda que elevasse os braços
Pusesse-me sobre os dedos gordos do pé
Ou saltasse em tua direção
Minhas mãos nem sequer te roçariam
Metros mais além de minha cabeça
Tua permanência ridicularizaria minha volúpia
Abrigado em tua inerte capa dura
Rir-te-ias pressentindo minha intenção
De abrir-te até a última página
Em meu soluço de fúria
Investiria minhas forças contra a estante
Fazendo-a estalar no solo
Só para, em ato contínuo,
Sentir o prazer de ver-te abandonado
No chão húmido do meu desdém

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