Eu nasci em mim
Num dia em que nem todas as cores eram vivas
Nasci entre um sim e um não
Que nunca se resolveu
A vida se encarregou
De tender-me entre fronteiras indefinidas
Como a roupa que seca abandonada num varal qualquer
Entre o céu e a terra
E talvez por isso
Descanse nessa negação das certezas
Uma lucidez que me dá o sorriso e a lágrima
O sentido e a sensibilidade
A vida que se faz em mim
Entrega-me diariamente esse dom tão solitário
De alcançar com o olhar
As coisas que ninguém quer ver
E de guardá-las em mim
Quilômetros além daquilo que ouso pronunciar
Quando esse inaudito do mundo
Transpira por meus poros
Frações de mim vão queimando como o éter eterno dos gregos
Diluindo-se como meus rastros junto a gentes
Que me tenderão entre o inicio e o fim
Como a eterna desconhecida que sou
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