miércoles, 6 de enero de 2010

Passaria

Passaria por essa rua infinitas vezes
Para ver-te em forma de querer-me
Para escutar-te dizer-me linda
Para sentir-te curvar tuas linhas
E dar-me um abraço redondo, circular, elíptico
Arco sem flecha
Que retorna sem haver partido
Tão suave como um adeus à distância
Mais repleto que o ar que se perde
De todo ligeiro e de nada ausente

Passaria por invernos meridionais intermináveis meses
Para ter-te aconchegado a meu corpo
Para dizer-te toma-me inteira
Para fazer-te dobrar minhas esquinas
E voar-me sobre esse mundo ímpar, raro, poético
Presença sem encontro
Que pronuncia fazendo desconhecer o dito
Tão íntegra como a palavra inventada
Mais cálida que o vaivém das marés que se alternam
De todo sensata e de nada sapiente

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