miércoles, 6 de enero de 2010

Eterno do meu agora

Amanheço colhendo tempestade
Sem haver cultivado nenhum vento
Que faça justa
A certeza tão trágica
Do famoso dito
Difíceis ares
Os que em sopro me elevam
Nesse quando que se enuncia passado, futuro e presente
Nesse tudo do para sempre
Nesse eterno do meu agora
Chego mesmo a pensar
Que em não semear os ventos
Encubei-os em meu peito
Como se de um mar de suspiros imaginados se tratara
Como se a bússola, insana e translúcida, se esquecera do norte
Como se nela quisesse crer piamente
E por ela me deixasse levar
Ao rumo vertiginoso de entardeceres espumosos
Quiçá o mundo me diga, assim, em melodia de tormenta
Que de mim não ficará o que resiste, persiste ou incide
Anoiteço escutando esse grande oceano
Que dentro de mim sussurra, canta e invoca
Como o segredo que nas conchas se esconde
E no coração se sacode.

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