Botando tudo à parte
Ficam umas coisas que não têm nome.
Pulsões que palpitam
Irradiando-se desde aqui até o todo,
Desde o todo até aqui.
Mil visões do entardecer,
Um sol que cega sem esquentar.
Infinitos rostos desconhecidos
Transitando entre plataformas,
Aguardando um trem que não chegará nunca.
Botando-se tudo à parte
Resistiriam somente os sentidos mais profundos
Toda banalidade se dissolveria.
Sem perdão, sem freios, sem remorso.
Brotaria uma forma de mim que desconheço
Longa, etérea, além dos meus limites.
Mais perto do chão e mais longe do fim.
Um silêncio melódico talvez se percebesse
Nós dançaríamos sem parar em salões desconhecidos.
Esperaríamos o aplauso inaudível das coisas esquecidas
Um beijo talvez selasse esse instante de glória,
Inundando o que restasse de nós.
Nossas bocas trêmulas rejeitariam qualquer palavra.
Estaríamos depois do final.
Outubro 2009.
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