Lentamente, deixei que meus pés tocassem o chão
O tato frio do calçamento da rua
Subiu-me pelas pernas
Arrastando consigo os ventos do ártico
Senti a coluna gelar
Estalaram-se minhas costelas
Expirei o ar condensado dessa paralisia
Até que fosse muito tarde para voltar atrás
Perdi o sentido por infinitas frações de segundo
Prostrada em um lugar nenhum desta cidade
Duvidei entre o ir e o vir negando-me a conhecer o passo seguinte
Nesse avesso de toda epifania
Faltaram-me as luzes do céu sobre minha cabeça
Sentido algum emergiu em meu auxílio
Caíram-se meus anéis e com eles meus dedos congelados
Invadida pelo sentimento odioso de imobilidade
E blasfemando o pouco de mim que reconheço
Preferi o silêncio ao desconhecido.
Outubro, 2009
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